Diversidade no Islão

Written by Prof. Filipe. Posted in 3º Ciclo

O Jornal Observador republicou em 2017 um artigo de janeiro de 2016 para explicar a crise diplomática entre a Arábia Saudita e o Quatar. O jornalista Nuno André Martins para explicar a geopolítica dessa zona do Médio Orientea acabou por ter a necessidade de referir a diversidade no Islão. São 14 séculos de divisão entre duas formas de viver o Islão.

Ainda te lembras da diferença entre Sunitas e Xiitas?

Recorda com este vídeo

Quem quiser saber mais sobre a diversidade, pode e deve ler o artigo na íntegra.

As quatro escolas da teologia sunita

Na teologia sunita há quatro escolas principais, que assumiram os seus fundadores, e alguns dos movimentos principais estão dentro destas escolas.

Hanbalita (que inclui os movimentos waabistas e os salafistas): É a escola seguida pelos sunitas da Arábia Saudita (waabistas), Qatar e Emirados Árabes Unidas. É a mais fundamentalista das quatro, fundada por Ahmad ibn Hanbal, um jurista que defendia que a lei islâmica, a Sharia, se deve basear fundamentalmente no Corão e na Suna.

Hanafita e Shafita: A primeira e terceira escolas, são seguidas pelos sunitas da Síria, do Iraque (onde são minoria), Turquia, Paquistão, Indonésia e Egito. A escola hanafita é a mais antiga e, tal como a shafita (a maior e mais importante durante o período dos Abássidas), deu apoio aos alawitas.

Malikita: seguida pelos sunitas na Argélia, Marrocos, Sudão, Arábia Saudita (minoria) e Emirados Árabes Unidos (também são minoria). É uma das primeiras escolas e o seu fundador defendia o contrário dos califas omíadas, que as leis tinham de ter referência ao Corão, a importância da tradição oral e dos ensinamentos dos 4 califas “corretamente guiados”.


As três escolas da teologia xiita (mais os alauitas)

Na teologia xiita existem três ramos principais, com a principal a deter grande parte do relevo:

Os xiitas dos doze imãs: é o maior e mais conhecido grupo dentro do xiismo. Os seus seguidores seguem a linha dos doze imãs sucessivos, acreditando que o último imã ainda estaria vivo apesar de escondido desde 874, e que o último dos imãs, Muhammad al-Mahdi, “O Guia”, ainda é capaz de enviar mensagens ocultas aos fieis escolhidos. Alguns dos xiitas iranianos acreditam que o ayatollah Khomeini, o líder da revolução islâmica no Irão em 1979, teria recebido inspiração do último imã. Os doze imãs são considerados sucessores diretos corporais e espirituais do profeta Maomé.

Zaiditas: um ramo que deriva dos seguidores dos imãs, que partiu a linha no quinto imã. A maioria dos xiitas acredita que o quinto imã legítimo era Muhammad al-Baquir, filho de Ali e neto de Hussein, mas a minoria que viria a ser zaidista, reconheceu antes o seu irmão, Zayd bin Ali. Esta seita está praticamente limitada a uma minoria no Iémen e acredita que o verdadeiro xiita é qualquer muçulmano que siga as regras dos descendentes de Ali e Fatima (filha de Maomé), seja culto, piedoso e ativo politicamente.

Os xiitas dos sete imãs (ismaelitas): estão concentrados especialmente na diáspora, e acreditam que o último imã foi Ismael, o sétimo imã, que se terá ocultado no século XVIII. A teologia dos ismaelitas centra-se numa teoria cíclica histórica em torno do número 7 e consideram necessário distinguir entre os conteúdos eternamente válidos do Corão e os que se referem a um horizonte temporal condicionado. Para os ismaelitas, só os conteúdos eternamente válidos são obrigatórios.

Revelada a idade do túmulo da Igreja do Santo Sepulcro

Written by Prof. Filipe. Posted in 3º Ciclo

Foi descoberta a idade do túmulo de Jesus. A sepultura é de 345 d.C. e coincide com os tempos de Constantino, o primeiro imperador cristão de Roma. É 655 anos mais antigo do que se julgava.

Os arqueólogos descobriram que os materiais utilizados na construção original da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém ainda existem no local, noticiou a National Geographic. De acordo com as análises feitas à argamassa colocada entre a pedra de calcário original da superfície do túmulo e a placa de mármore, o túmulo onde os cristãos julgam ter estado sepultado Jesus de Nazaré é do ano 345 d.C., ou seja, foi colocada cerca de 20 anos depois da infraestrutura ter sido descoberta pelos romanos. Agora, os arqueólogos podem dizer com certeza que a construção original do túmulo ocorreu nos tempos de Constantino, o primeiro imperador cristão de Roma.

As dúvidas sobre se este túmulo tinha mesmo sido mandado construir pelo imperador Constantino surgiram porque, ao longo dos séculos, a Basílica do Santo Sepulcro foi atacada muitas vezes: em 1009 foi destruída e mandada reconstruir, por isso os cientistas não estavam certos de que este era o sítio em que, segundo uma delegação escrita em Roma há 1.700 anos, Cristo esteva enterrado aquando da sua morte, em 33 d.C.. As últimas investigações diziam que os materiais mais antigos recolhidos no local eram dos tempos dos Cruzados e que, sendo assim, não teria mais de 1.000 anos. Estes novos dados provam que, afinal, a construção é pelo menos 655 anos mais antiga do que isso.

As amostras de argamassa no centro desta nova investigação foram recolhidas em outubro de 2016, quando a laje de mármore que selava o túmulo foi retirada pela primeira vez desde 1555 para um restauro da Universidade Nacional e Técnica de Atenas. Cruzando estes dados científicos com os factos históricos, o mais provável é que os funcionários de Constantino enviados a Jerusalém receberam a informação de que Jesus Cristo tinha estado sepultado numa capela construída 200 anos antes. O templo terá sido destruído depois disso, mas as escavações feitas no local revelaram um túmulo esculpido numa caverna de calcário. À caverna foi retirado o tecto para que o túmulo fosse visível. Depois, foi construída uma Edícula — um santuário com formato de casa – para cobri-lo.

Os cientistas continuam sem poder comprovar que este é mesmo o local onde Jesus, figura central do Cristianismo e cujos crentes dizem ser o filho de Deus, esteve sepultado. No entanto, as características encontradas neste túmulo coincidem com as que foram confirmadas noutros túmulos do século I: é o caso do leito fúnebre, onde os cadáveres eram deitados e para onde Jesus terá sido levado a seguir à crucificação. No caso do suposto túmulo de Jesus, esse leito foi revestido em 1555 com uma pedra de mármore. Por baixo dela havia uma segunda pedra que os arqueólogos encontraram partida e gravada com uma cruz de Cristo em 2016. Agora sabemos que é, indiscutivelmente, dos tempos do imperador Constantino.

Artigo da jornalista Marta Leite Ferreira do Jornal Observador.

2 planetas habitáveis?

Written by Prof. Filipe. Posted in 3º Ciclo

Uma notícia do Jornal i que vem trazer, quem sabe, uma resposta válida para a humanidade... é só aí ao virar da esquina (?)

Planetas ficam a 39 anos-luz da Terra

Um grupo de cientistas descobriu dois planetas que poderão ser habitáveis.

Estes dois planetas fazem parte da lista de sete planetas descobertos o ano passado. Os planetas giram em torno de uma estrela anã, chamada Trappist-1. Segundo explica o Guardian, desde a descoberta, os cientistas têm procurado semelhanças entre os planetas e a Terra.

Durante essa análise, um grupo de cientistas, da Hungria, criou modelos matemáticos dos sete planetas e concluiu que, provavelmente, seis deles têm água. Criaram ainda modelos de possíveis órbitras para determinar a temperatura à superfície.

O estudo, que será publicado no Astronomy & Astrophysics, refere que dois dos sete planetas encontrados o ano passado podem ser habitáveis por apresentarem temperaturas razoáveis.

Gulag (Glavnoe Upravlenie Lagerei - Administração Geral dos Campos)

Written by Prof. Filipe. Posted in 3º Ciclo

Foi publicado no Jornal Público "Gulag, mais um dia de vida" - 15.out'17

Um livro contra um império. O Arquipélago Gulag teve este ano uma nova e cuidada edição em português. A memória dos campos de trabalho e morte, ainda hoje um território de confronto na Rússia de Putin, a terra dos oligarcas. Por coincidência ou não, no centésimo aniversário da revolução russa.

1945: prisioneiros em Vorkuta. Laski Diffusion/Getty Images
Na construção do Canal do Mar Branco morreram cerca de 25 mil prisioneiros para que aquela obra colossal estivesse pronta no prazo-recorde de 20 meses imposto por Estaline.

Para quem quiser ler na íntegra. Contudo, deixo aqui algumas citações.

Concebidas como campos de trabalho e de reeducação ideológica, as cerca de 476 “ilhas” que formaram o arquipélago Gulag são frequentemente comparadas aos campos de concentração nazis. Na verdade, não sendo seu propósito directo o extermínio ou a liquidação física dos prisioneiros, o risco de morte causou tantas vítimas e era tão flagrante que não pôde deixar de ser assim considerado pelos mais altos responsáveis pelo sistema, quer pela nomenklatura, com Estaline e Béria à cabeça, quer pelos burocratas que geriam a rede concentracionária, quer pelos directores dos principais campos, muitos deles alvo de sucessivas e sangrentas purgas.
O Gulag, acrónimo de Administração Geral dos Campos (Glavnoe Upravlenie Lagerei), durou muito mais tempo do que os campos nazis e, ao contrário do que se pensa, não terminou com a morte de Estaline, continuando a funcionar como prisão para os activistas da democracia, os dissidentes, os nacionalistas e os criminosos de delito comum. Verdadeiramente, o sistema prisional soviético só começou a ser desmantelado por Gorbatchov, ele próprio neto de prisioneiros do Gulag.